BULLYING: problema que deve ser levado a sério


“O que para um aluno é brincadeira, para outro pode ser constrangimento. Incentivamos essa reflexão e já sentimos o retorno”, contou Marcia Gallo em uma reportagem sobre o tema para o Diário do Grande ABC de 27 de outubro de 2009.

O bullying é toda atitude intencional e repetitiva realizada por um ou mais estudantes contra outro ou outros, provocando dor e angústia. “Os atos repetidos entre iguais (estudantes) e o desequilíbrio de poder são as características essenciais, que tornam possíveis a intimidação da vítima” (ABRAPIA, s/d).

Os alvos de bullying são indivíduos ou grupos geralmente pouco sociáveis e inseguros, o que impede que busquem auxílio.

“São pessoas sem esperança quanto às possibilidades de se adequarem ao grupo. A baixa auto-estima é agravada por intervenções críticas ou pela indiferença dos adultos sobre seu sofrimento. Alguns crêem ser merecedores do que lhes é imposto. (…) Muitos passam a ter baixo desempenho escolar, resistem ou recusam-se a ir para a escola, chegando a simular doenças. Trocam de colégio com freqüência, ou abandonam os estudos” (ABRAPIA, s/d).

“As crianças que sofrem BULLYING, dependendo de suas características individuais e de suas relações com os meios em que vivem, em especial as famílias, poderão não superar, parcial ou totalmente, os traumas sofridos na escola. Poderão crescer com sentimentos negativos, especialmente com baixa auto-estima, tornando-se adultos com sérios problemas de relacionamento. Poderão assumir, também, um comportamento agressivo. Mais tarde poderão vir a sofrer ou a praticar o BULLYING no trabalho. Em casos extremos, alguns deles poderão tentar ou a cometer suicídio” (ABRAPIA, s/d).

Os autores do bullying podem manter esse comportamento fora da escola, inclusive na vida adulta. Assim, há possibilidade de tornarem-se adultos com atitudes agressivas tanto na família quanto no ambiente de trabalho e até mesmo envolverem-se em atos de delinqüência ou crimes.

“Geralmente, os autores de Bullying, procuram pessoas que tenham alguma característica que sirva de foco para suas agressões. Assim, é comum eles abordarem pessoas que apresentem algumas diferenças em relação ao grupo no qual estão inseridas, como por exemplo: obesidade, baixa estatura, deficiência física, ou outros aspectos culturais, étnicos ou religiosos” (ABRAPIA, s/d).

Neste processo também há as testemunhas, aqueles que convivem com a situação e permanecem calados, geralmente, por temerem tornarem-se também vítimas.

“Apesar de não sofrerem as agressões diretamente, muitas delas podem se sentir incomodadas com o que vêem e inseguras sobre o que fazer. Algumas reagem negativamente diante da violação de seu direito a aprender em um ambiente seguro, solidário e sem temores. Tudo isso pode influenciar negativamente sobre sua capacidade de progredir acadêmica e socialmente” (ABRAPIA, s/d).

Por ser algo que muitas vezes não é percebido tanto por professores quanto pelos pais, a ABRAPIA (Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e á Adolescência) cita alguns indicadores para facilitar a identificação de bullying na escola:

  • Demonstrar falta de vontade de ir à escola;
  • Sentir-se mal perto da hora de sair de casa;
  • Pedir para trocar de escola;
  • Revelar medo de ir ou voltar da escola;
  • Pedir sempre para ser levado à escola;
  • Mudar frequentemente o trajeto entre a casa e a escola;
  • Apresentar baixo rendimento escolar;
  • Voltar da escola, repetidamente, com roupas ou livros rasgados;
  • Chegar muitas vezes em casa com machucados inexplicáveis;
  • Tornar-se uma pessoa fechada, arredia;
  • Parecer angustiado, ansioso, deprimido;
  • Apresentar manifestações de baixa auto-estima;
  • Ter pesadelos freqüentes, chegando a gritar “socorro” ou “me deixa” durante o sono;
  • “Perder”, repetidas vezes, seus pertences, seu dinheiro;
  • Pedir sempre mais dinheiro ou começar a tirar dinheiro da família;
  • Evitar falar sobre o que está acontecendo, ou dar desculpas pouco convincentes para tudo;
  • Tentar ou cometer suicídio.

Diante de tal fato, a escola deve tomar uma atitude para controlar o bullying. As medidas adotadas devem envolver toda a comunidade escolar (ABRAPIA, s/d).

Conversar com o estudante é uma possibilidade, mas que nem sempre resolve o problema. O importante, segundo a ABRAPIA (s/d) é não exigir dele o que ele não se sente capaz de realizar e nunca culpá-lo pelo que está acontecendo. Outra coisa muito importante é que deve-se intervir imediatamente nos casos de bullying, assim que forem identificados.

Ajudar todos a lidar com as diferenças é algo muito importante para que cesse este tipo de comportamento na escola. Para isso, o professor pode levar seus alunos a questionar e trabalhar seus preconceitos, “promovendo debates, nos quais possam tomar consciência dessas questões e confrontar suas ideias” com outros alunos. (ABRAPIA, s/d).

Seguem sugestões da ABRAPIA para professores e funcionários da escola para tentar resolver esta situação:

  • Desde o primeiro dia de aula, avisem aos alunos que não será tolerado Bullying nas dependências da escola. Todos devem se comprometer com isso: não o praticando e avisando à direção sempre que ocorrer um fato dessa natureza;
  • Promovam debates sobre Bullying nas classes, fazendo com que o assunto seja bastante divulgado e assimilado pelos alunos;
  • Estimulem os estudantes a fazerem pesquisas sobre o tema na escola, para saber o que alunos, professores e funcionários pensam sobre o Bullying e como acham que se deve lidar com esse assunto;
  • Convoquem assembleias, promovam reuniões ou fixem cartazes, para que os resultados da pesquisa possam ser apresentados a todos os alunos;
  • Facultem a oportunidade de que os próprios alunos criem regras de disciplina para suas próprias classes. Essas regras, depois, devem ser comparadas com as regras gerais da escola, para que não haja incoerências;
  • Da mesma maneira, permitam que os alunos busquem soluções capazes de modificar o comportamento e o ambiente;
  • Sempre que ocorrer alguma situação de Bullying, procurem lidar com ela diretamente, investigando os fatos, conversando com autores e alvos. Quando ocorrerem situações relacionadas a uma causa específica, tentem trabalhar objetivamente essa questão, talvez por meio de algum projeto que aborde o tema. Evitem, no entanto, focalizar alguma criança em particular.
  • Nos casos de ocorrência de Bullying, conversem com os alunos envolvidos e digam-lhes que seus pais serão chamados para que tomem ciência do ocorrido e participem junto com a escola da busca de soluções;
  • Interfiram diretamente nos grupos, sempre que isso for necessário para quebrar a dinâmica de Bullying. Façam os alunos se sentarem em lugares previamente indicados, mantendo afastados possíveis autores de Bullying, de seus alvos.
  • Conversem com a turma sobre o assunto, discutindo sobre a necessidade de se respeitarem as diferenças de cada um. Reflita com eles sobre como deveria ser uma escola onde todos se sentissem felizes, seguros e respeitados.

Para os pais:

  • Saiba que tanto o autor quanto o alvo estão precisando de ajuda;
  • Não tente ignorar a situação, nem procure fazer de conta que está tudo bem;
  • Procure manter a calma e controlar sua própria agressividade ao expor o tema. Mostre que a violência deve ser sempre evitada.
  • Não agrida, nem intimide;
  • Mostre que você sabe o que está acontecendo, mas procure demonstrar que você o(a) ama, apesar de não aprovar esse seu comportamento;
  • Procure saber porque ele(a) está agindo assim e o que poderia ser feito para ajudá-lo(a);
  • Garanta a ele(a) que você quer ajudá-lo(a) e que vai buscar alguma maneira de fazer isso;
  • Dê orientações e limites firmes, capazes de ajudá-lo(a) a controlar seu comportamento;
  • Procure auxiliá-lo(a) a encontrar meios não agressivos para expressar suas insatisfações;
  • Encoraje-o(a) a pedir desculpas ao colega que ele(a) agrediu, seja pessoalmente ou por carta;
  • Tente descobrir alguma coisa positiva em que ele(a) se destaque e que venha a melhorar sua auto-estima;
  • Procure criar situações em que ele(a) possa se sair bem, elogiando-o(a) sempre que isso ocorrer.

 

Referências bibliográficas:

ABRAPIA. Programa de Redução do Comportamento Agressivo entre Estudantes. Disponível em: http://www.bullying.com.br/BConceituacao21.htm. Acesso: 27 out 09.

FAJARDO, V. São Caetano vai combater bullying. In: Diário do Grande ABC. Edição 14124. 27/10/2009. Disponível em: http://home.dgabc.com.br/default.asp?pt=secao&pg=detalhe&c=1&id=5774568&titulo=Sao+Caetano+vai+combater+’bullying‘. Acesso: 27 out 09.

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