Contribuições de Skinner 2


Texto escrito por Iracema Cerdan Zavaleta Galves

 

Burrhus Frederic Skinner (1904-1990) propôs a filosofia da ciência da análise do comportamento: o Behaviorismo radical. Apesar de não pensar diretamente na Educação (LUNA, 2010), este psicólogo fez grandes contribuições na área, fornecendo bases e interpretações para a compreensão dos problemas educacionais (LUNA, 2007).

Segundo Skinner, o indivíduo nasce com algumas determinações genéticas e biológicas que dão condições para realizar determinadas coisas. Assim, existem três níveis de interação do indivíduo e ambiente (LUNA, 2010):

  • Filogenético – seleção natural da espécie provocada pelas condições de sobrevivência.
  • Ontogenético – repertórios individuais são adquiridos ao longo da história da vida em função das consequências de sua interação com o ambiente físico e social.
  • Cultural – práticas culturais desenvolvidas e realizadas pelo grupo social e que são mantidas porque contribuem para a sobrevivência da cultura.

Este último nível de interação te, reação direta com a educação, uma vez que ela é um pilar fundamental para a sobrevivência da cultura. Ou seja, é o “estabelecimento de comportamentos que serão vantajosos para o indivíduo e para o grupo em tempo futuro” (SKINNER, 1953: 40, apud LUNA, 2007). “A força de uma cultura está nos seus membros” (SKINNER, 1972: 247, apud LUNA, 2007). “A força ou fraqueza desses membros (…) dependerá dos objetivos selecionados para ensino e da qualidade desse ensino” (LUNA, 2007: 148).

Desta forma, Skinner propõe alguns objetivos da educação e conteúdos específicos (LUNA, 2010):

  • Estabelecer o que o aluno não sabe;
  • Ensinar as primeiras coisas primeiro;
  • Manter o aluno constantemente em atividade;
  • Criar condições de autoavaliação e fornecer feedback constante;
  • Organizar etapas pequenas e só avançar com a certeza de domínio de etapas anteriores;
  • Substituir as consequências arbitrárias (um estímulo intermediário que provocará a consequência esperada no indivíduo, como por exemplo, a nota provocará a aprendizagem) por consequências naturais gradativamente (por exemplo, não necessitar da nota para que haja o interesse na aprendizagem).

Com relação ao segundo item explicitado acima, é importante leva-lo em consideração tanto com relação à aprendizagem das crianças (não posso ensinar a literatura brasileira para um aluno que não sabe ler, mesmo que ele já esteja no Ensino Médio) quanto com relação à formação de professores (não adianta ensinar os grandes teóricos da educação se os professores não dominam os conteúdos que devem ensinar em sala de aula).

Outro ponto importante a ser ressaltado é que o professor deve analisar a maneira da criança pensar e a partir daí auxiliá-la em suas dificuldades. Skinner defende que deve-se investir em tecnologia para ensinar, por exemplo, a História do Brasil ou as capitais dos países, para o professor ficar livre para fazer o que a máquina não faz: perceber a dificuldade de cada estudante e auxiliá-lo diretamente (LUNA, 2010).

Em suma, LUNA (2007: 158) explica que a educação é uma peça essencial para a formação de cidadãos, “na medida em que deve garantir indivíduos maximamente autônomos e com chances de contribuíres para a sobrevivência do grupo e da cultura. O que o sistema como um todo – incluindo nós, professores, pais, psicólogos e educadores – deve responder são questões como:

  1. Quem deve ser ensinado?
  2. O que deve ser ensinado?
  3. Para que deve ser ensinado?
  4. Quanto deve ser ensinado?
  5. Como deve ser ensinado?”

 

Referências bibliográficas:

LUNA, Sergio Vasconcelos de. Aula ministrada na turma do 1º semestre/2010, disciplina Psicologia da Educação I, Mestrado em Psicologia da Educação da PUC-SP. Em 30 de março de 2010.

LUNA, Sergio Vasconcelos de. Contribuições de Skinner para a Educação. In: PLACCO, V.M.N.S. (org.) Psicologia & Educação: revendo contribuições. São Paulo: FAPESP/EDUCA, 2007, p. 145-179.


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