Durkheim & a Sociologia


Durkheim nasceu em 1858 e morreu 59 anos depois; provém de família judia, mas se torna ateu após sua ida a Paris.

Viveu em uma época com muitos acontecimentos importantes, como a Primeira Guerra Mundial – que trouxe consequências, inclusive, à sua vida diretamente, uma vez que alguns de seus discípulos e seu próprio filho morrem –, e grandes mudanças políticas, econômicas e culturais na França: III República, lei Naquet, instrução laica, conflitos entre burguesia e proletariado, movimentos operários, Segunda Revolução Industrial, avanço da ciência, belle époque e expansão do neocapitalismo.

Ele estudou na École Normale Superieure e saiu com o título de Agregé de Philosophie. Foi professor de Filosofia, mas seu interesse estava voltado à Sociologia e, como na França não havia um ensino regular dessa disciplina, vai à Alemanha e entra em contato com pessoas de renome: Wundt, Dilthey, Simmel e Tönnies.

Quando volta a seu país, começa a dar aulas de Pedagogia e Ciência Social e encontra espaço para desenvolver grande parte de sua obra. Mostra-se muito ativo, construindo rapidamente sua obra.

Funda uma revista, pois acreditava que os sociólogos deveriam estar sempre informados sobre as pesquisas feitas em determinadas áreas, como por exemplo, história do direito, dos costumes ou das religiões, para que se pudesse construir a Sociologia.

Por um período, devido a preocupações políticas, a Sociologia esteve imobilizada na França, entretanto seguiu seu caminho na Inglaterra. Quando reinicia em seu país de origem, há a introdução do organicismo – as sociedades são organismos – com Espinas.

Durkheim acreditava que a sociologia estava se tornando muito abrangente e achou que seria indicado haver mais de uma ciência social – as Ciências Sociais (define a Sociologia como uma ciência no meio de outras ciências positivas). Estabeleceu os objetivos dessas ciências para localizá-las no campo do conhecimento. Assinalou o reino social: todo fenômeno se desenvolve em sociedade; e reino moral: a vida social envolve um conjunto de meios morais (que são construídos pelas idéias) que rodeiam o indivíduo.

O objetivo da Sociologia são os fatos sociais e o método para estudá-la é a observação e a experimentação indireta, ou seja, o método comparativo.

Durkheim percebe a maneira como os homens veem a realidade através da análise das religiões primitivas, ele acha que as pessoas representam a realidade de diversas maneiras e não só pela verbalização. Para tal, utiliza como método mediações empíricas: ver, descrever e, assim, classificar a realidade.

Seu método de estudo teve influência de Comte e Descartes.

Através de sua obra Le Suicide, Durkheim exemplifica a pesquisa social: analisa as variáveis que podem aprofundar o tratamento do problema; utiliza também a estatística como meio de análise a fim de mostrar que um problema social, como o suicídio, pode ser avaliado pelas ciências sociais.

Ele tenta usar como método somente o social, enfatizando que os fatos sociais são antes de tudo coisas sociais. E explica que a Sociologia é uma ciência autônoma e distinta e que somente ela é capaz de entender os fatos sociais.

Sua metodologia consiste, em primeiro lugar, em discutir as concepções correntes sobre o fenômeno, apresentar sua própria visão (estritamente sociológicas) do fenômeno, analisar e interpretar os dados empíricos e, por fim, voltar à discussão teórica para caracterizar o fenômeno e também contribuir para as teorias já existentes.

Enfim, Durkheim contribuiu muito para a consolidação acadêmica da Sociologia e, segundo o autor (p. 33), “sua maior qualidade talvez seja a prioridade do social na explicação da realidade natural, física e mental em que vive o homem”.

 

Fonte: RODRIGUES, J.A. (org). Durkheim. Ed. Ática.

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