EDUCAÇÃO NA ANTIGUIDADE ROMANA: A HUMANITAS 3


Roma passou por diversos períodos e sua influência está presente até os dias atuais.

Primeiramente, como todas as civilizações conhecidas, foi uma comunidade primitiva, onde a terra era comum a todos: todos tinham direitos iguais e eram homens livres.

Houve um momento em que o comércio começou a crescer e Roma se transformou em cidade. Sua fundação data 753 a.C. (provavelmente) e diversas lendas versam esse acontecimento.

A terra comum a todos foi substituída em propriedade privada, ocasionando em uma divisão de classes: patrícios (aristocracia) e plebeus (homens livres sem direito político).

A República iniciou com a queda do último rei etrusco e ela representava os interesses dos patrícios, uma vez que os plebeus não tinham direitos políticos e civis – estes conquistaram alguns direitos devido a muitas reivindicações e porque surgiu uma nova aristocracia proveniente ao enriquecimento de alguns deles.

Roma continuava se expandindo devido às conquistas de terras em guerras e o número de escravos (prisioneiros de guerra ou plebeus que perdiam a liberdade por dívidas) também aumentou muito, fazendo com que a economia progredisse – o escravismo passou a ser a base do processo econômico.

Sua extensão máxima ocorreu no século II d.C., na fase do Império Romano. Desta forma, houve a necessidade de um maior número de funcionários trabalhando para o Estado (principalmente para a arrecadação de impostos das províncias).

Roma. Foto de: www.caminhosdeumamochila.com.br

Roma. Foto de: www.caminhosdeumamochila.com.br

Neste mesmo século, o Império começa a decair por diversas razões, dentre elas: desmantelamento da máquina burocrática, lutas pelo poder, altos impostos, corrupção, esvaziamento de cofres públicos e, dissipação dos costumes afrouxados pelo luxo.

Então, as guerras de expansão cessam, o escravismo entra em crise, os agricultores ficam “presos” às terras que trabalham devendo pagar parte da produção aos proprietários delas, o artesanato e o comércio decaem e os bárbaros se infiltram. Esses fatores fazem com que, no século V, o Império se fragmente.

Durante o período em que Roma era a mais importante civilização, ela foi agregando à sua cultura e tradições as culturas de outros povos, os quais eram conquistados por ela. Uma influência muito marcante foi a grega, que contribuiu com alguns valores e até mesmo com o bilinguismo, uma vez que as crianças aprendiam desde cedo o latim e o grego – muitas vezes aprendiam também o idioma local.

A educação dos patrícios era voltada para a perpetuação dos valores da nobreza. Assim, as crianças ficavam em casa, aos cuidados da mãe ou substituta, até os 7 anos. Nesta idade, as meninas aprendiam os serviços domésticos no próprio lar.

Os meninos acompanhavam o pai (ou substituto) em acontecimentos importantes e desenvolviam a consciência histórica e o patriotismo através de ações como: decorar a Lei das Doze Tábuas e ouvir histórias sobre heróis e os antepassados. Também aprendiam a cuidar da terra (a princípio ao lado do senhor e dos escravos), a ler, escrever e contar e a preparar-se como guerreiros. Aos 15 anos, iam juntamente com o pai ao foro, local onde estava o comércio e eram tratados os assuntos públicos e privados. Com 16 anos, ele ia exercer a função militar ou política. “A educação pouco se voltava para o preparo intelectual e mais para a formação moral, baseada na vivência cotidiana e na imitação de modelos representados não só pelo pai, mas também pelos antepassados”.

Com a expansão de Roma e a necessidade de indivíduos mais instruídos para ocupar cargos oficiais, a educação precisou ser revista. Assim, no século IV a.C. surgiram as escolas elementares particulares: ludi magister, que eram frequentadas por crianças de 7 a 12 anos e eram espaços improvisados onde se ensinava a ler, escrever e contar. Os professores eram mal pagos e pouco reconhecidos.

Dos 12 aos 16 anos, esses jovens frequentavam a escola dos gramáticos e ali estendiam seus conhecimentos literários, estudavam as disciplinas reais: geografia, aritmética, geometria e astronomia e iniciavam-se na retórica.

À medida que surge necessidade vai se ampliando o tempo de permanência na escola. Foi assim que surgiu a escola do retor (professor de retórica), uma vez que a arte de falar e escrever bem começou a exigir um maior aprofundamento. E, diferentemente dos demais professores, este era mais bem pago e respeitado.

Na escola superior se estudava política, direito, filosofia e as disciplinas reais, além de educação física (voltada para as artes marciais) e uma viagem à Grécia. Era freqüentada pela elite e por isso o que era ensinado estava direcionado a eles, ou seja, a educação era voltada a atividades intelectuais e não manuais.

No Império, a educação era interesse do Estado, porém este não a acompanhava de perto. Entretanto, com o tempo, foi se percebendo a necessidade de um maior controle, utilizando para isso a legislação e, por fim, tomou para si a inteira responsabilidade dela.

Em Roma, diferentemente da Grécia, a reflexão filosófica não foi tão valorizada quanto a retórica, prevalecendo, então, uma cultura de letrados.

Alguns representantes da pedagogia se destacaram nesta época, como por exemplo:

  • Cícero (106-43a.C.) – era um homem culto e foi um dos representantes da humanitas romana (“cultura predominantemente humanística e, sobretudo, cosmopolita e universal, buscando aqui que caracteriza o ser humano, em todos os tempos e lugares”). Sua filosofia possuía idéias platonistas, epicuristas e estoicistas e estendeu o vocabulário latino.
  • Sêneca (4a.C.-65) – a filosofia era vista como uma ferramenta para orientar o sujeito para o bem viver. “Enfatiza a formação moral e dá atenção menor à retórica”.
  • Quintiliano (35-95) – um dos mais respeitados pedagogos romanos. Lecionou na escola de retórica e valorizava os aspectos técnicos da educação, distanciando-se da filosofia. “Valoriza a psicologia como instrumento para conhecer a individualidade do aluno. Não se prendia a discussões teóricas, mas procurava fazer observações técnicas e indicações práticas. Assim, os cuidados com a criança começam na primeira infância, desde a escolha da ama. Para a iniciação às letras, sugere o ensino simultâneo da leitura e da escrita, criticando as formas vigentes por dificultarem a aprendizagem, Recomenda alternar trabalho e recreação para que a atividade escolar seja menos árdua e mais proveitosa. Considera importante a aprendizagem em grupo, atividade que favorece a emulação, de natureza altamente saudável e estimulante. No ideal da formação enciclopédica, inclui os exercícios físicos, desde que realizados sem exagero. No estudo da gramática, busca clareza, a correção, a elegância. Ao valorizar os clássicos, como Homero e Virgílio, reconhece na literatura não só o aspecto estético, mas o espiritual e o ético”.

Com a divisão do Império Romano, a vida cultural e religiosa se desenvolveram muito. A educação cristã também tomou força quando o cristianismo se tornou a religião oficial.

 

Fonte:

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. História da educação e da pedagogia. 3ª ed., São Paulo: Moderna, 2006, p. 85-95.


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