Pensando sobre o analfabetismo


Um adulto quando assume o papel de alfabetizando já está mudando algo em si, em busca de outra atividade e papel social (ser aluno) e de uma outra condição de ser no mundo; afinal o indivíduo é aquilo que ele faz (Paim, 2005, p.17).

Segundo a Comissão Internacional da Conferência Mundial sobre Educação para Todos, 1990 (Torres, 2001, p.41), a alfabetização é entendida “como um instrumento singularmente eficaz para a aprendizagem, para o acesso e a elaboração da informação, para a criação de novos conhecimentos e para a participação na própria cultura e na cultura mundial nascente”. Entretanto, infelizmente, a realidade revela que, atualmente, também chamamos de alfabetização “o mero ato de decodificar o código escrito, sem compreendê-lo e utilizá-lo na prática”, que é a chamada alfabetização funcional.

Em nosso convívio social, sem que percebamos, existem inúmeros indivíduos analfabetos: dados de 2007 mostravam que havia, naquele ano, aproximadamente 15 milhões de pessoas maiores de 15 anos que não sabiam ler e escrever em nosso país. Este fato é extremamente lamentável em nossa sociedade, uma vez que dependemos da leitura e escrita para uma infinidade de coisas. Fortunati (2007) nos alerta que, com o analfabetismo, a pessoa fica extremamente vulnerável, pois sua autoestima se reduz muito, causando dificuldades no acesso a alguns serviços essenciais a que ela tem direito.

“O conceito e a prática da alfabetização encontram-se em evolução constante e dinâmica, com novas perspectivas que refletem as transformações societárias, a influência da globalização na linguagem, na cultura e nas identidades, e também a expansão das comunicações eletrônicas” e pode ter dois conceitos distintos. Primeiro, a alfabetização “pode ser um fator de liberação ou, na linguagem de Paulo Freire, de domesticação, assim, a alfabetização vê-se na mesma situação que a educação em geral, quanto a seu papel e a sua finalidade. Em segundo lugar, a alfabetização vincula-se a um vasto espectro de práticas de comunicação, só podendo ser tratada paralelamente aos demais meios de comunicação” (Fortunati, 2007, p.96).

A alfabetização de adultos e a educação continuada trazem diversos objetivos, como: a redução da pobreza e combate à impotência (de maneira mais ampla), aumento de autoestima, maior mobilidade e participação mais intensa na vida comunitária. E, para as mulheres, que compõem 2/3 da população analfabeta, sua alfabetização “significa uma elevação da saúde materno-infantil, o bem-estar das crianças, a probabilidade de as crianças virem a frequentar a escola, a redução dos níveis de fertilidade e papéis políticos e produtivos de maior relevo na sociedade” (Fortunati, 2007, p.97).

Ou seja, a alfabetização de adultos contribuiria para uma sociedade mais justa e igualitária.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

FORTINATI, José. Gestão da educação pública. Porto Alegre: Artmed, 2007.

PAIM, Jussara Ferreira. Há vida para além da sala de aula: um estudo sobre a identidade do aluno do EJA. [Dissertação de Mestrado em Educação] PUC-SP, 2005.

TORRES, Rosa Maria. Educação para todos. Porto Alegre: ArtMed, 2001.

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