A importância dos limites para crianças


“As crianças estão cada vez mais terríveis!” – escutamos um dizer. “No meu tempo não era assim!” – afirmam os mais velhos. Afinal, o que mudou tanto para que as crianças estejam tão diferentes e causando tantas dores de cabeça?

Houve um tempo em que criança não tinha vez, não podia querer, não interrompia conversas de adultos e não era

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Fonte: © Andrew Taylor | Dreamstime Stock Photos

prioridade. Aquelas que quebravam estas regras eram castigadas fisicamente pelos pais, hábito visto pela sociedade como normal e necessário1.

Este tipo de relacionamento foi, no decorrer das últimas décadas, amplamente modificado e as crianças passaram a ser reconhecidas como indivíduos que têm vontade própria, direitos e necessidades específicas. E então o modo de educar os filhos tornou-se muito menos autoritário1.

Mas essa transição originou consequências. Muita coisa melhorou, como o relacionamento entre pais e filhos, que se tornou mais autêntico, democrático e harmonioso. Por outro lado, muitos confundiram a necessidade de mais liberdade com total falta de limites e, assim, surgiu a geração de príncipes e princesas com mais direitos do que deveres, mais liberdade que responsabilidade, mais receber que dar1.

Acontece que, em alguns dos momentos de aplicar os limites, os pais oscilam entre a permissividade e o autoritarismo, manifestando dificuldades em alcançar um equilíbrio. Assim, pais muito permissivos, tenderão a desculpar e não castigar quando é preciso, ao passo que, pais autoritários, optarão por dar mais castigos, gritar, humilhar ou dar umas palmadas na criança, às vezes de forma exagerada2.

É fundamental que os adultos tenham clareza de suas convicções e sejam fiéis a elas, pois, para os pequenos, eles são modelos vivos a serem seguidos1. Todos nós temos modos peculiares de educar, adotando um determinado estilo parental, tendo em conta os valores que nos foram transmitidos, bem como, o ideal de educação que fomos construindo2.

No intuito de cumprir, da melhor forma possível, a nossa tarefa, é essencial que possamos refletir sobre os modos de agir com a criança, pois, só assim, ela terá a oportunidade de desenvolver a sua consciência moral e gerir as suas próprias emoções2.

SILVA, Raquel C.S. Palestra: Limites na Educação Infantil da Psicologia.

Fonte: SILVA, Raquel C.S. Palestra: Limites na Educação Infantil da Psicologia.

É importante saber que a noção do proibido vai se constituindo ao longo do desenvolvimento infantil. Assim, no 1º ano de vida, a criança obedece ao princípio do prazer, agindo por impulso; por isso procura fazer apenas o que lhe causa satisfação e foge daquilo que não é prazeroso. Até 2 ou 3 anos, a noção do proibido não faz muito sentido à criança; é preciso repetir muitas vezes o que pode ou não pode fazer, explicando em poucas palavras a razão dessa proibição. Somente depois dos 3 ou 4 anos a criança passa a compreender as ordens dadas. À princípio, ela procurará obedecer aos pais, somente para satisfazê-los1.

A maioria dos comportamentos infantis é aprendido por meio de imitação e da experimentação. As crianças aprendem a comportar-se em sociedade ao conviver com outras pessoas, principalmente com os próprios pais, absorvendo a conduta deles. Cada vez que os pais aceitam uma contrariedade, um desrespeito, uma quebra de limites, estão fazendo com que seus filhos não compreendam e rompam o limite natural1.

A criança que não aprende a ter limite cresce com uma deformação na percepção do outro. As consequências são muitas e, frequentemente, graves, como por exemplo, dificuldade de suportar frustrações, falta de persistência, desrespeito pelo outro – colegas, irmãos, familiares e autoridades1.

A medida certa do limite é os pais delegarem aos filhos tarefas que eles já são capazes de cumprir. Os limites ensinam a criança a ter comportamentos adequados, a se proteger contra situações de risco e a respeitar os demais. Colocar limites é, portanto, um investimento1.

Através de algumas regras básicas, bom senso, respeito e afeto, a missão de educar os filhos pode ser gratificante. É claro que não existem receitas únicas, pois as características familiares e individuais divergem de um contexto para outro e são importantes para definir as escolhas e decisões. Mas algumas orientações básicas são sempre úteis à maioria dos pais1:

  • Agir de acordo com a idade da criança;
  • Manter a coerência entre os pais e demais familiares;
  • Dar o exemplo;
  • Estabelecer regras claras, definidas e estáveis;
  • Ser persistente;
  • Cumprir o que foi dito;
  • Criticar o ato cometido em si e não o indivíduo ou sua personalidade;
  • Não economizar elogios.

 

Fontes:

1 SILVA, Raquel C.S. Limites na Educação Infantil da Psicologia. Palestra. Disponível em: http://www.escolacorujinha.net/site/content/psicologia/detalhe.php?2 Acesso: 24 mai. 2010.

2 CAPELA, Maria J. Castigos e limites na educação infantil. Disponível em: http://www.regiao-sul.pt/noticia.php?refnoticia=77288 Acesso: 25 mai. 2010.

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