Ideias sobre o livro ESCOLA E DEMOCRACIA, de Dermeval Saviani


 

No livro Escola e Democracia, Dermeval Saviani discute as Pedagogias Tradicional e Nova como tendo aspectos positivos e negativos e defende que não se deve excluir toda uma experiência quando se está diante de algo novo. Assim, expõe a teoria da curvatura da vara para ilustrar sua teoria: “Quando a vara está torta, ela fica curva de um lado e se você quiser endireitá-la, não basta colocá-la na posição correta. É preciso curvá-la para o lado oposto” (Saviani, 2006, p.37). Ou seja, ele pretende mostrar o outro lado de ambas as pedagogias, uma vez que as pessoas já são formadas para enxergar somente as qualidades da Nova e os defeitos da Tradicional. A intenção do autor, então, é retomar a tarefa histórica de ensinar na escola para uma melhor reflexão acerca do ato de educar.

A Escola Tradicional, como é vista hoje, está totalmente mistificada e as pessoas têm uma ideia errônea, caricata, de sua verdadeira filosofia: a filosofia da essência.

O ensino tradicional tem como matriz teórica os cinco passos de Herbart:

  1. preparação,
  2. apresentação,
  3. comparação e assimilação,
  4. generalização e,
  5. aplicação.

Ele tenta articular o ensino com o produto da ciência e, por isso, está estruturado num método expositivo de ensino, focando-se na transmissão dos conhecimentos obtidos pela ciência. Desta maneira, defende o conteúdo e a escola para todos, ou seja, o conhecimento para todos, possibilitando, assim, a emancipação do sujeito (infelizmente, porém, a maioria daqueles que se envolve com educação não a interpreta desta maneira, acreditando que é a Escola Nova que defende uma escola democrática).

A Escola Nova, por sua vez, está baseada numa concepção humanista. Tenta articular o ensino com o processo de desenvolvimento da ciência e, por isso, transforma aquilo que tem de ser aprendido em atividades, valoriza o grupo e o professor tem o papel de orientá-lo, interferindo somente quando solicitado. A didática é também valorizada e os conteúdos são adquiridos através de projetos, seminários, estudos dirigidos, estudos do meio, entre outros.

Os passos das atividades que se baseiam nessa teoria giram em torno de:

  1. problematização,
  2. levantamento de dados,
  3. formulação de hipóteses e experimentação (que confirma ou rejeita as hipóteses levantadas anteriormente).

Esta é uma pedagogia não-diretiva e acredita-se no aprender fazendo.

A Escola Nova privilegia a existência (mais do que a essência), justificando, assim, a diferença de ensino e a permanência da população em suas classes, o que explica a fala de Saviani quando a taxa como não-democrática: “quando mais se falou em democracia no interior da escola, menos democrática foi a escola; quando menos se falou em democracia, mais a escola esteve articulada com a construção de uma ordem democrática” (Saviani, 2006, p. 36), referindo-se à Escola Nova e a Escola Tradicional respectivamente.

Infelizmente a falta de preparo por parte dos educadores e a extensão da pedagogia nova à maioria das escolas brasileiras fez com que houvesse a desqualificação do ensino. “A proposta escolanovista contribuiu para o aprimoramento do nível educacional da classe dominante. Entretanto, ao estender sua influência em termos de ideário pedagógico às escolas da rede oficial, que continuaram funcionando de acordo com as condições tradicionais, a Escola Nova contribuiu pelo afrouxamento da disciplina e pela secundarização da transmissão de conhecimentos, para desorganizar o ensino nas referidas escolas. Daí, entre outros fatores, o rebaixamento do nível da educação destinada às camadas populares” (Saviani, 2006, p. 67).

Desta maneira, Dermeval Saviani acredita que estas pedagogias são ingênuas e não críticas e propõe a Pedagogia Histórico-Crítica, que vai além das pedagogias citadas anteriormente, incorporando suas críticas recíprocas e acrescentando uma perspectiva histórica.

Assim, defende a volta dos conteúdos e a volta da disciplina, mas de maneira política (sem, no entanto, falar em política), justificando que “nós precisaríamos defender o aprimoramento exatamente do ensino destinado às camadas populares. Essa defesa implica a prioridade de conteúdo. (…) o domínio da cultura constitui instrumento indispensável para a participação política das massas. Se os membros das camadas populares não dominam os conteúdos culturais, eles não podem fazer valer os seus interesses, porque ficam desarmados contra os dominadores, que se servem exatamente desses conteúdos culturais para legitimar e consolidar a sua dominação” (Saviani, 2006, p. 55).

Os métodos utilizados aqui tendem a vincular a educação e a sociedade. Tanto professor quanto aluno são vistos como agentes sociais e o ponto de partida e o ponto de chegada é a prática social.

Os passos utilizados nesta pedagogia são:

  1. prática social, ou seja, o professor parte da prática social quando começa e não com um programa pronto (parte de um diagnóstico da turma);
  2. problematização, isto é, identificação dos problemas postos pela prática social;
  3. instrumentalização, pois devem apropriar-se dos instrumentos teóricos e práticos necessários para trabalhar os problemas do passo anterior;
  4. catarse, que é a efetiva incorporação dos instrumentos culturais, transformados em elementos ativos de transformação social; e, finalmente,
  5. prática social, quando o aluno chega ao nível que o professor estava quando se iniciou a proposta.

O que Saviani conclui com isso é que a educação não se justifica por si própria, ela é apenas um meio, uma passagem, para alcançar-se um fim maior: a luta de classes e igualdade social.

 

Referência bibliográfica:

SAVIANI, Dermeval. Escola e democracia. 38 ed., Campinas: Autores Associados, 2006.

 

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