O álcool e o Covid-19

Texto escrito por Ana Carolina Yuka Yoshimura e Iracema Cerdan Zavaleta Galves

Desde março de 2020, o Brasil vem enfrentando a pandemia causada pelo novo coronavírus – Covid-19. Algo bem diferente de tudo que as pessoas vivas já vivenciaram haja vista que a última pandemia (a gripe espanhola) aconteceu há um século, entre 1918 e 1920. E, de lá para cá, as mudanças na sociedade foram muitas e não se pode repetir aquela experiência tal e como aconteceu.

Desta vez, assim como naquela, houve o isolamento social, a quarentena, e, também, a necessidade de nos reinventar. Para isso,  precisamos acessar mais o nosso inconsciente, pois muita coisa mudou: rotina, hábitos, comunicação… e foi necessária adaptação, tanto no lado pessoal quanto no lado profissional – muitos negócios, por exemplo, precisaram de criatividade para seguir lucrando.

Na pandemia, o núcleo psicoide foi provocado e o álcool foi uma saída para encarar a incerteza do isolamento.

Outro fator interessante a se considerar é que, na quarentena, os complexos de abandono foram ativados. Pois ela significou, para muitos, solidão, tédio, ansiedade, angústia e medo; contexto propício para o desencadeamento de doenças psiquiátricas, como crises de ansiedade, depressão ou dependência química.

O abandono é um elemento que sempre acompanhou o alcoolismo e é por isso que a comunidade dos Alcoólicos Anônimos tem sucesso, pois eles fazem um acompanhamento pessoal intenso com os participantes, eles se apoiam.

Frente ao medo e à incerteza, o álcool tem efeito ansiolítico, proporciona uma sensação de prazer, relaxamento, e é devido a isso que o consumo dele aumentou na quarentena – 18% no Brasil, segundo estudos.

No entanto, vale lembrar que, a longo prazo, o álcool piora os quadros de ansiedade. Por isso, a sugestão é substituí-lo por uma atividade de lazer e, se houver muita dificuldade em lidar com essa angústia, o ideal é buscar ajuda profissional.

O álcool também enfraquece o sistema imunológico (aumentando o risco de contágio de Covid-19), aumenta o risco de acidentes e aumento o risco de violência doméstica. Ou seja, ele abre mais possibilidades para as pessoas ficarem doentes e hospitalizadas, ocupando mais os hospitais, que já estão saturados com os pacientes portadores do novo coronavírus.

Assim sendo, há de olhar a situação com cautela e observar qual é a função do álcool na vida das pessoas, a fim de suprir os desafios que por ventura ele esteja encobrindo antes de que se torne um problema grave.