Planejar para ter aulas de maior qualidade


Planejar faz parte da vida: quando um ano se inicia, planejamos como ele será, quais metas iremos cumprir, o que não queremos repetir, etc. O mesmo acontece quando começamos a trabalhar em um novo emprego, iniciamos um projeto novo, quando nos casamos (ou quando queremos conquistar aquela pessoa especial) ou estamos esperando um bebê. O fato é que planejar nos ajuda a definir os nossos objetivos, o que queremos alcançar. Nos ajuda também, como diz GANDIN & CRUZ (2006, p. 27), a “verificar a que distância, na prática, estamos do ideal e decidir o que se vai fazer para encurtar essa distância”.

Se planejar é essencial em diversos âmbitos de nossa vida, por que seria diferente na escola, na sala de aula ou em cada aula que o professor vai dar? O professor sabe o que deve (ou deveria saber) ensinar, sabe o que os estudantes devem aprender em determinado período – existem muitos documentos do MEC e sugestões de aulas da mesma instituição ajudam a nortear essa ação. Assim, planejando bem a maneira de fazê-lo, as chances de ter um melhor resultado são maiores.

GANDIN & CRUZ (2006, p. 23), mais uma vez, nos alerta sobre a importância do planejamento das aulas:

“Cada plano de sala de aula é parte do esforço geral que a escola empreende. Aquilo que a escola, como instituição social, quer alcançar e que está expresso em seu marco referencial, guiará o trabalho de cada professor(a) e de cada turma de alunos. Se assim não for, é provável que cada professor(a) e cada grupo de alunos, mesmo tentando fazer o máximo, trabalhem segundo seu senso comum pessoal e, até, segundo o humor de cada momento. A escola não terá, nesse caso, uma identidade ideal clara, que é uma condição básica para que se estabeleça um processo de ajuda eficaz ao educar-se das pessoas que dela participam, e para que se estabeleça uma presença social construtora”.

O planejamento passou a ser obrigatório nas escolas na década de 1960. Mas, por não haver embasamento para realizá-lo, ficou reduzido a um quadro com os itens: conteúdos, objetivos, estratégias, recursos e avaliação. Infelizmente, hoje muitos dos profissionais da educação continuam vendo o planejamento de maneira negativa. Ainda falta perceber a importância de se realizar um plano e o auxílio que ele proporciona a seu trabalho docente. Professores o fazem de maneira mecânica, como uma simples ferramenta burocrática da escola, ou seja, o plano é tido como uma exigência da escola e o que nele está escrito fica somente no papel.

Uma das características do plano é a flexibilidade, mas esta também é usada como desculpa para que ele não seja seguido.

Assim, em muitas escolas, o plano está limitado ao programa. E, o que ocorre muitas vezes é que o conteúdo já está estabelecido e aos professores não restam outras aspirações do que transmitir tais conteúdos. O que é muito ruim, pois, sabe-se que o centro do processo educativo não deve ser o conteúdo, mas infelizmente é o que ocorre na prática escolar.

Diante de toda essa problemática, GANDIN & CRUZ (2006) apresentam as partes que um plano de aula deve ter, para que ele realmente possa auxiliar o trabalho do professor e não servir unicamente de enfeite, como acontece em muitas instituições.

Fonte: http://www.b2marketing.com.br/planejamento-estrategico/

Fonte: http://www.b2marketing.com.br/planejamento-estrategico/

Partes de um plano:

1 – Marco operativo

O ponto inicial de se planejar uma boa aula ou um plano de curso, é o marco operativo é o conjunto de ações explanadas com embasamento teórico. O marco operativo dependerá da concepção de educação que o(s) autor(es) do plano tem. E então, surge um problema ao nos depararmos com conteúdos preestabelecidos, pois estes impedem a elaboração a partir dos pressupostos do marco operativo, ou seja, apresenta-se um caminho definido.

2 – Diagnóstico

Diagnóstico é estabelecer um juízo e, para tal, é importante que haja o encontro entre o marco operativo (referencial teórico), a realidade (as possibilidades e os limites que a realidade oferece) e o juízo (conclusões sobre os resultados que estão sendo alcançados, as condições e o modo de trabalho).

Na prática, segundo GANDIN & CRUZ (2006, p. 47-48) são nove as finalidades de um planejamento:

  • organizar a instituição para que funcione sem sobressaltos, isto é, sem problemas: para que se mantenha em bom funcionamento;
  • escolher uma dentre várias alternativas que se apresentam;
  • definir as etapas e o modo de realizar algo que se tem que fazer;
  • melhorar qualitativamente o que se está fazendo;
  • expandir quantitativamente a produção de algum bem;
  • distribuir os recursos de que se dispões;
  • introduzir novas estruturas ou novas maneiras de fazer;
  • contribuir para a manutenção das estruturas sociais existentes, com a introdução de mudanças técnicas e formais;
  • propor uma nova realidade social e contribuir para sua construção, através da transformação de estruturas da realidade existente.

3 – Programação

A programação é a proposta em si, é concretizar aquilo que deve acontecer para atingir os ideais estabelecidos no marco operativo.

Para Gandin & Cruz (2006, p. 70), “ao se elaborar uma programação, as questões básicas são muito simples: << Que necessidades aparecem no diagnóstico? Que objetivos, estratégias, normas, atividades permanentes são aptas e possíveis para superá-las, em parte ou totalmente? >>”.

Assim, em sua prática de trabalho, ao planejar suas aulas, o professor não pensará nos conteúdos preestabelecidos, mas em atividades que contemplarão as categorias citadas acima. Os autores pontuam que deve-se trabalhar com objetivos e não com conteúdos, pois os conteúdos estarão integrados em cada objetivo e é isto que nos faz sair de uma proposta conteudista para realizar um trabalho significativo.

 

FONTE: GANDIN, Danilo; CRUZ, Carlos Henrique Carrilho. Planejamento na sala de aula. 6ª ed, Petrópolis: Vozes, 2006.

 

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