Vigotski e as contribuições da Psicologia Sócio-Histórica para a compreensão do ser humano


Lev Seminovitch Vigotski (1896-1934) foi um importante autor russo que viveu na época da Revolução Russa (1917). Juntamente com outros (Luria e Leontiev, por exemplo), forma uma corrente da psicologia, a “escola soviética”, apresentando uma perspectiva marxista para essa nova forma de pensar a Psicologia. “A tese de Vigotski (…) situa-se no contexto do materialismo histórico e dialético, na linha de Marx e Engels” (PINO, 2005, p. 16).

Sabemos que ele anuncia muita coisa, mas não responde todas, o que é compreensível quando notamos que morreu apenas com 37 anos, devido à tuberculose. No entanto, sua contribuição é grande para a Psicologia, principalmente porque fez uma análise da crise dela. Nas palavras de MOLON (2003, p. 22-23), este teórico “megulhou em um processo revolucionário no engajamento da construção de uma nova sociedade e de uma nova ciência psicológica. Porém, as suas problemáticas centrais diferenciavam-se significativamente das investigações psicológicas clássicas”.

MOLON (2003) justifica a atitude de Vigotski, uma vez que, diante da necessidade ideológica e política de um novo projeto de sociedade, surgiu também a necessidade de que as ciências dessem respostas práticas aos problemas da população – entre eles, estava a educação, pois existia uma alta taxa de analfabetismo.

A autora acrescenta, ainda, que uma das causas da crise foi a tentativa de juntar conceitos e teorias de diferentes perspectivas, levando à formulação equivocada das perguntas e a respostas desarticuladas delas pela união de diferentes universos. “Vigotski analisou quatro conjuntos de ideias em Psicologia e seus respectivos princípios explicativos: psicanálise-sexualidade; reflexologia-reflexo; psicologia da gestalt-forma; o personalismo-personalidade” e reconheceu o valor de cada uma, porém criticou a posição delas como sendo universal, pois não é possível que um princípio explicativo contenha “a necessária compreensão da totalidade do comportamento humano” (MOLON, 2003, p. 41).

“Para Vigotski, o importante era colocar corretamente a pergunta, e identificar, claramente, a origem da crise, e o que poderia fazer era apontar uma nova postura para refletir sobre a definição de uma psicologia de base marxista. Vigotski não pretendia resolver todos os problemas da psicologia, mas sim formulá-los corretamente” (MOLON, 2003, p. 44).

Ele propôs uma nova maneira de pensar a concepção de homem, bem como a relação da ciência com a sociedade, pensando, assim, sobre o método e sobre ética como meio de superar essa crise.

Sua concepção de homem enfatiza o ser humano como um ser social e histórico, ao mesmo tempo que é único e singular. Como ser social e histórico, ele se constitui nas relações com outros seres humanos e com a natureza. Ele se relaciona com a sociedade transformando-a e sendo transformado por ela. “Entendemos dessa forma que indivíduo e sociedade não mantêm uma relação isomórfica entre si, mas uma relação onde um constitui o outro” (AGUIAR, 2006, p. 12).

 

Referências bibliográficas:

AGUIAR, Wanda Maria Junqueira de. A pesquisa junto a professores: fundamentos teóricos e metodológicos. In: AGUIAR, Wanda Maria Junqueira de (org.). Sentidos e significados do professor na perspectiva sócio-histórica: relatos de pesquisa. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2006.

MOLON, Susana Inês. Subjetividade e constituição do sujeito em Vygotsky. Petrópolis: Vozes, 2003.

PINO, Angel. As marcas do humano: às origens da constituição cultural da criança na perspectiva de Lev S. Vigotski. São Paulo: Cortez, 2005.

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