A CHEGADA DO IRMÃO NA FAMÍLIA

Lembrancinha de nascimento de um novo membro da família

O nascimento de uma criança envolve toda uma modificação do contexto e estrutura da família: os pais que estavam acostumados com uma rotina, agora devem abrir espaço para mais um ser que chega. Se essa mudança ocorre quando nasce o primeiro filho, não é diferente com a chegada do segundo (ou do terceiro…).

Aprender a conviver com os outros membros da família é um dos aprendizados mais importantes que alguém pode ter na vida e nada melhor que a chegada de um irmão para praticar esse aprendizado. Mas muitas dificuldades aparecem nesse momento, pois todos os membros da família terão de adaptar-se a uma nova realidade. Claro, a preocupação maior recai sobre o filho (ou filhos) mais velho, que, se por um lado, terá alguns ganhos com a chegada do irmão, estes não ficam tanto em evidência quanto às perdas de atenção e afeto, além de mais broncas e reprimendas.

Os pais, além disso, se preocupam excessivamente em proteger a criança dos seus sentimentos de rivalidade. Mas o ideal, segundo o pediatra estadunidense T. Berry Brazelton (1994), é ensinar a criança a sentir-se responsável pelo seu irmão e pelo bem-estar da família toda. Aprender a ser mais responsável pelos outros é essencial e isso começa quando se aprende a compartilhar as coisas com um irmão.

Irmãos

BRAZELTON (1994) apresenta sugestões para os pais que têm mais de uma criança:

  • Dependendo da idade do primogênito, dê-lhe tarefas ligadas à assistência ao bebê: alimentá-lo, buscar as fraldas, pegá-lo no colo e fazer-lhe carinho quando ele estiver irritado. Deixe que ele escolha as roupas do bebê, que o ajude a ser vestido – por exemplo, conversando com ele enquanto se faz a troca –, que fique com ele no colo durante uma parte da refeição, e que ajude a empurrar o carrinho.
  • Quando saírem todos juntos, prepare o filho mais velho: “Quase todos os estranhos adoram bebês. Não é que não gostem de você. Venha sentar-se comigo quando se sentir solitário, abandonado e ciumento”. Depois, pegue-o no colo sempre que todas as pessoas estiverem bajulando o bebê.
  • Ao chegar em casa, depois de um dia de trabalho, é fundamental planejar a sua chegada: é muito provável que, ao pôr os pés na porta, as crianças vão desentender-se e criar uma situação da mais intensa rivalidade. O ideal é sentar-se no meio delas para perguntar como foi o seu dia. Depois que já conversou com ambas, pode dar início a outras atividades. Faça com que elas também ajudem. Deixe que escolham o que preferem fazer, e estimule suas escolhas. Consiga um tempo para dedicar-se a cada uma delas no fim do dia.
  • Tanto o pai quanto a mãe devem planejar um tempo especial que possam passar a sós com cada criança no fim de semana. É esse o momento de estreitar as relações com as crianças enquanto indivíduos.

Obras consultadas:

BRAZELTON, T.B. Momentos Decisivos do Desenvolvimento Infantil. São Paulo: Martins Fontes, 1994.

OLIVEIRA, Débora Silva de; LOPES, Rita de Cássia Sobreira. “Mãe, Quero Ficar Contigo…”: Comportamentos de Dependência do Primogênito no Contexto de Gestação de um Irmão. In: Psicologia: Reflexão e Crítica. 2008, 21. Acesso em 3 de julho de 2019. Disponível: http://redalyc.org/articulo.oa?id=18821207